SÁBADO 04-02-2012
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sábado, 4 de fevereiro de 2012
PORTO DE MÁGOA
Por entre uma Ribeira cansada
Rios de águas de risos
Choros que não dão em nada
Há um rio onde estremeço
Dias descontentes imprecisos
Margens que não alcanço
Tristezas que não mereço
Fúria onde não danço
E por uma rua engalanada
Correm olhos humedecidos
Barcas na margem parada
Barqueiros entristecidos
Redobram Miragaia ferida
De outras guerras a cumprir
Entre margens sentida
Numa água por sentir
Fecho os olhos e sinto
O rio que me corre adentro
Triste mágoa não desminto
Ondular desse lamento
Param as águas
Correm mágoas
...
musa
INSANA LUCIDEZ
Rios de tinta
eu deixo no papel,
são relíquias minhas
por entre os olhos desventrados,
são o cume da montanha
que me pulsa nos punhos.
O sol é uma romã aberta
que reflecte o ácido
que sinto nas entranhas,
fico-me a rasgar a terra
donde sai água cristalina,
fico-me no esconso
onde os pássaros fazem ninho
e agarro os dias
que vão passando incompletos.
Procuro-te insano
por todos os lugares sombrios
em que as noites
tomam formas vampíricas
onde o amanhã se esfuma
no livre crepitar das labaredas.
Não tem de haver arco-íris
para que o sol aqueça
as cores agrestes dos telhados.
Não tem de haver lágrimas
para se sentir saudade.
Pode o frio trespassar a pele
e deixar a alma gelada,
pode haver trovoadas
para além dos relâmpagos,
que terei sempre nos dedos
um rio permanente
enquanto houver
uma nascente nos teus olhos.
Francisco Valverde Arsénio
(Pintura de Armando Alves)
MEU VALE DE LUZ...
Perco-me no alto mar das ondas de sangue
que me corre nas veias.
Os meus nervos sabem a relâmpagos de tempestade
e a êxtases de luz,
tal o fragor que desce pelas colinas de lava incandescente
que meu âmago produz…
Há algas de sal marinho
que guardo num livro de água viva,
onde vou lendo o segredo do oceano da vida.
Dói-me o mar onde me perco.
Tantos ficaram tão perto…
que dele se perderam, em rotas de fascínio!
E no oceano de vagas alterosas
sinto a ânsia da cor da verde folhagem
do meu ser-a-arder…
Éum fogo-de-penar
esta pedra ígnea que aquece o corpo meu,
espantando as andorinhas de asas da cor do breu…
A alma caminha em rotas do céu
qual peregrina cansada
a um bordão encostada
procurando o olhar teu !
Searas de linho coram ao sol que arde
lembrando brancos lençóis de renda bordada
no brilho das gotas do suor de amor…
Pinhais batidos pelos ventos audazes e vibrantes
dão à luz frutos do seu ventre
criados no vibrar dos sussurros
dos crepúsculos ululantes…
E a serra, de arvoredos copados e redondos
(lembrando VENTRE-de-MÃE)
cobertos de verdes-moços de musgo macio
onde apetece cair e rebolar,
afasta-me da beleza do teu olhar…
Ela sabe que estou cansada de te Sonhar…
Sou rio de fogo
a tentar abraçar tua ilhota de pedra
que sussurra amor .
Das frestas de ti escorrem flores de cores vivas…
silvados floridos…sorrisos atrevidos…respiros de mim…
Sou assim!
…ramo fresco que te acaricia
nesta postura vadia-de-mim!
no constante lutar por ti…
Trepo o fumo branco do teu respirar
e agarro tua boca…(a sonhar)…
Teu odor fino e puro entra-me na alma
onde o espera a alegria –na-força-do-meu-sentir-te…
E o meu vale de luz, que se dilata quando te seduz,
fervilha em chama-alta-que-se-sublima,
na madrugada do desfazer teias da tua luz orvalhada…
R- C13N-5-JAN/012 (ert)
Marilisa Ribeiro
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Mil POEMAS
Conheço mil poemas
Que falam de búzios.
E dez mil poetas Que nunca os cativaram
No sibilar dos ventos.
Conheço outros mil
Que falam de pássaros.
E dez mil poetas
Que jamais espreitaram
Dois ovos num ninho.
Sabem imitar
Os seus cantos d'alba?
E assobiar as árias de ocaso?
E sei de mil mais
Que também nos falam
Da vida das pedras.
Dão-lhe mil sentidos...
Mas quantos poetas
Já adormeceram
Em plena harmonia,
Um riso aflorando
No canto dos lábios,
Lembrando fantasmas
Quando as pedras cantam?
Sabem que as redondas
São sempre as mais sábias?
E dos mil sussurros,
Tristes prisioneiros
Em poemas-celas?
Falarão verdade
Ou estão a fingir
Ao dizer que os ouvem?
Quantos poluíram
De silêncio a alma?
Aníbal Raposo
Silêncio…
Não faças barulho.
Aprende comigo, que eu não vou viver para sempre
E um dia, um dia vais lembrar-te do que te digo agora, e dar-me razão.
Agora escuta com atenção…
Se no sítio onde antes te batia o coração,
Te cantar um pássaro.
Se na barriga, te voarem mil asas de borboletas,
Coloridas, frágeis, em eterna metamorfose.
Se sempre que falares, da tua boca só sairem poemas,
Se o mundo for azul claro, pincelado de prata e mel
e se a tua boca te souber a algodão doce,
É sinal que estás irremediavelmente perdido…
Perdido de amor!
A. Luz
Não faças barulho.
Aprende comigo, que eu não vou viver para sempre
E um dia, um dia vais lembrar-te do que te digo agora, e dar-me razão.
Agora escuta com atenção…
Se no sítio onde antes te batia o coração,
Te cantar um pássaro.
Se na barriga, te voarem mil asas de borboletas,
Coloridas, frágeis, em eterna metamorfose.
Se sempre que falares, da tua boca só sairem poemas,
Se o mundo for azul claro, pincelado de prata e mel
e se a tua boca te souber a algodão doce,
É sinal que estás irremediavelmente perdido…
Perdido de amor!
A. Luz
A MINHA POESIA É LEVE
A minha poesia é leve
Como a pena do pavão
Quem assim quiser consegue
Levá-la no coração.
Ela vai para todo o mundo
Com ou sem autorização
Leva um sentimento profundo
Que me sai do coração.
Trazia o coração aos ais
Sem amigos virtuais
Agora ando descansado
Que os amigos virtuais
Sinto que são tão leais
Como os que tenho a meu lado.
Para todos o meu carinho.
Abílio Aires
Eu sou
A razão do pranto
que habita no teu peito
desde que o vento da desilusão
expulsou dos teus sonhos , a esperança
e te deixou naufrago
num mar de solidão , que ninguém vê...
- E meu nome é Mulher !
Eu sou
a explosão do teu desespero
quando a tua noite fria e triste
é povoada pelos abutres
que te descarnam o sonho que te guia
e te deixam sem sentidos
abandonado , na poeira do caminho ..
- E meu nome é Mulher!
Eu sou
a angustia do teu olhar
que parte incerto
palpando um futuro
que tem um sabor amargo
no grito que calas na garganta
na ferida antiga que não sara
e te atira vagas promessas de sol e de chuva..
-E meu nome é Mulher !
Eu sou
a lágrima transparente
que escorrega no teu rosto
e te acarinha a revolta
quando a verdade
de um mundo imundo
onde o teu sonho não cabe
é um açoite que te fustiga o pensamento
- E meu nome é Mulher !
Eu
sou o fumo das cinzas
de um sonho que já não te pertence
porque te acobardaste
debaixo do espanto e da nudez que sentiste
Perante o mundo que esperavas
e não encontraste
E meu nome é Mulher!
Eu sou
a ilusão que te sabe a sol
nas tardes cinzentas da vida
sou o cansaço que inventas
perante a indignação que em mim resiste
ao ver tanta dor de parto perdida
na guerra inútil que fazes ao teu irmão
- E meu nome é Mulher!
Eu sou
o poema que toda a criança
leva no olhar quando saúda o sol
Sou o brinquedo que te satisfaz
e que te entedia
mas que gostas de ter
Porque és animal
E meu destino é ser Mulher!
Mas eu sou também
O teu sonho azul
que esvoaça livre no ar
e com as cores do arco íris
desenha no teu horizonte a clara promessa
de um novo Amanhã ......
Isaura Vieira
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
CAMINHOS
Não vou deixar
Que destruam
O pouco que ficou O que restou
Dum coração que tanto amou
Duma vida sem sentido
Os caminhos, ah esses caminhos
Por onde passei
De espinhos afiados
Mas não desisti
Nem hesitei
Nesses meus anos dourados
Cada batalha ganha
Cada vitória alcançada
São como pétalas de rosa
Seu perfume me embriaga
Mas tenho de continuar a caminhada
Nesse caminho espinhoso
Se não quero ficar sem nada
Ia ser muito penoso
tulipanegra(Rosa Ferreira)
Não vou deixar
Que destruam
O pouco que ficou O que restou
Dum coração que tanto amou
Duma vida sem sentido
Os caminhos, ah esses caminhos
Por onde passei
De espinhos afiados
Mas não desisti
Nem hesitei
Nesses meus anos dourados
Cada batalha ganha
Cada vitória alcançada
São como pétalas de rosa
Seu perfume me embriaga
Mas tenho de continuar a caminhada
Nesse caminho espinhoso
Se não quero ficar sem nada
Ia ser muito penoso
tulipanegra(Rosa Ferreira)
Ilha de lava
Nas asas de bruma se veste o adeus
inalando o aroma da conteira.
Deixa rugas, afectos entre os meus,
que escavam o corpo a vida inteira.
Instantes que pairam, vencem o tempo
com idades de inocência, pureza,
guardando em místico sentimento
corpos nus de lava, cor e beleza.
No berço atlântico do Antero
jubilam no silêncio e maresia
palavras de luz, vibrações do etéreo;
versos que gritam no fundo do mar
paixões e angústias de tanto amar
o pulsar incerto da poesia!
ainda são gente
olhos vazios de vida vagueiam por essas ruas...
olhos vazios de vida vagueiam por essas ruas...
desertas de estar.
colam-se estáticos ao encriptado betão,
desenham graffitis de nada: marcas foscas no sabão.
caras pálidas de ser
percorrem espaços ausentes de rostos -
inertes fantasmas -
caminham na direcção dos tectos ocos,
chegam ao nunca:
ao lado nenhum de todos os lados -
sempre de vazio atarefados.
corpos desprovidos de toque,
movimentam-se apáticos na multidão sem gente;
evitam-se no beijo, no abraço, no doce amasso -
em terrenos virtuais (fibras descarnadas de sangue)
amam-se de paixão: meras estruturas conceptuais - desilusão.
almas carentes de tudo
sofrem nas ânsias sentidas correntes de nada:
andam, correm, param - raramente tropeçam
naquela que é a sua verdadeira estada.
circulam perdidas de si no encontro de si;
rebatem os pisos de sempre -
caem,levantam,
olham de frente o outro (também ele descrente).
músculos rígidos de dor
cambaleiam nos atalhos somados,
soltam lágrimas rebeldes -
há muito cansadas;
cerram nos dentes a chuva,
morada constante de suas mentes.
olhos cálidos de amor
aguardam o momento de si -
neste mundo a que vieram (com tanto vigor).
queimam como que nas águas do ventre;
desbravam caminho no alagar teimoso de quem tudo e nada sente:
ainda são gente.
Conceição Sousa
NAUFRÁGIO
Consumo-me no tempo
Naufrago de mim mesmo
Na hora do naufrágio lembro-me do beijo
Como um farol de promessa de sobrevivência
Sou náufrago da minha ansiedade
Promessa de minha embriaguez
Perdido na neblina nas muralhas de sombra
Caminho para além do desejo
Tu és a mulher que eu amei, e a que eu perdi
E é a ti nesta hora que evoco a ternura
É negra a solidão neste planalto, e é a ti
Mulher de amor que devo a ternura dos braços que me acolheram
Era sede e fome que sacias-te
Desventura que venturas-te
Mulher terra da tua alma
Cruz do meu pecado
Desfilam beijos pelas campas
E pássaros debicam uvas maduras
Beijos que mordem nos dentes famintos
Dos corpos entrelaçados
Foste meu destino e nele viajo
Naufrago de vontade
Marinheiro agarrado ao leme do navio
Já parti do cais da madrugada
Já se foi aquela estrela
Que os meninos de Trindade Coelho perseguiam….
Eh…! Boieira…..! Eh Boieira…!
…… Quando voltas
Zé Maldonado
Ergue-se a recordação da tempestade
E sobre mim chovem frias as lembranças
Cubro de rosas vermelhas
A minha própria tumba
Os pássaros bateram asas
Em debandada para o sul
Consumo-me no tempo
Naufrago de mim mesmo
Na hora do naufrágio lembro-me do beijo
Como um farol de promessa de sobrevivência
Sou náufrago da minha ansiedade
Promessa de minha embriaguez
Perdido na neblina nas muralhas de sombra
Caminho para além do desejo
Tu és a mulher que eu amei, e a que eu perdi
E é a ti nesta hora que evoco a ternura
É negra a solidão neste planalto, e é a ti
Mulher de amor que devo a ternura dos braços que me acolheram
Era sede e fome que sacias-te
Desventura que venturas-te
Mulher terra da tua alma
Cruz do meu pecado
Desfilam beijos pelas campas
E pássaros debicam uvas maduras
Beijos que mordem nos dentes famintos
Dos corpos entrelaçados
Foste meu destino e nele viajo
Naufrago de vontade
Marinheiro agarrado ao leme do navio
Já parti do cais da madrugada
Já se foi aquela estrela
Que os meninos de Trindade Coelho perseguiam….
Eh…! Boieira…..! Eh Boieira…!
…… Quando voltas
Zé Maldonado
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Eu apenas...
Sou
um apaixonado pelas coisas simples da vida que passam despercebidas ao
comum dos mortais.....gosto da brisa ao anoitecer numa noite de verão à
beira mar.....gosto do mar....onde vou “beber” a minha energia....gosto
de escrever....a escrita liberta-me.....a escrita é uma catarse e a
poesia a minha paixão......gosto da utopia.....gosto de ajudar por
ajudar....gosto da sensualidade e da sedução......fascinam-me as pessoas
e o seu interior.....encanta-me a beleza feminina e a sua
sensibilidade....
....deslumbra-me uma gota de orvalho que
escorre na janela pela madrugada....encanta-me um dia de chuva que cai
copiosamente ao ritmo do vento que fustiga a janela por onde eu espreito
e onde a minha imaginação se perde e o meu pensamento
voa......sensibiliza-me o riso de uma criança e um cantar de um
rouxinol....comovo-me com um simples acorde musical e com um abraço
sincero.......gosto de ser livre como uma ave que voa no seu esplendor
ao sabor do vento e rumar sem destino ao infinito onde as estrelas
esperam por mim....
...acredito no amor e nos
sentimentos.....gosto da intimidade e das confidências.....acredito no
olhar das pessoas....acredito na esperança e na felicidade dos pequenos
nadas.....ainda acredito nalguma bondade e altruísmo no outro....
.....abomino
a hipocrisia humana, a indiferença e a injustiça.....entristece-me a
ausência de valores e o egocentrismo....detesto a falta de transparência
e a mentira...temo a solidão e o desprezo....sou aquilo que sou e eu
apenas.....sou um turbilhão de emoções que poucos entenderão.......
Apenas existo na cumplicidade de um poema sem qual a solidão me levaria a alma
José Guerra
HIBERNAR
Intuo umas nuvens cinzentas que se aproximam
De mansinho
Soberanas conquistam o céu
Tapando o Sol
Ficando bréu
Assisto
Sinto frio
Resta-me isso
Esperar
Não me vejo a partir
Não me vejo a ficar
Sinto cada dia mais latente
A vontade de hibernar
Até tudo amainar
Sim
Sinto-me blue
Para que negar?
Mas sei que tudo vai passar
Frágil me sinto
A quebrar por dentro
A qualquer momento
Por isso hiberno.
Tento conservar o que de melhor
Em mim resta
O que de melhor em mim ficou
Quem sabe um dia acordo
E tudo passou
Descubro novos céus
Novos ventos
Quem sabe a letargia
Me Ganha e eu desisto
De acordar
Quem sabe?
Por agora sei que devo parar
Não é um Adeus
É sempre um até Já.
Cristina Vaz
LUA FRIA
LUA FRIA
Na varanda do meu andar,
Vejo triste e fria a Lua surgir,
Procuro seguir o rastro dela,
Juntar a luz ao meu sonhar,
Travar assim o teu fugir.
Peço ajuda à Estrela Polar,
Para iluminar o meu caminho.
Solicito à Lua o seu luar,
A Vénus o seu carinho.
A Lua sobe redonda e fria,
Ignora o meu pedido.
Numa nuvem o luar se perdia,
Escondendo o rastro perdido.
Que culpa tenho eu, Lua!
Por seres assim tão fria?
A culpa não é minha nem tua?!
Iluminas a noite em vez do dia,
Onde o Sol emana calor,
Dando à terra todo o amor.
Pede ao teu Criador mudanças,
Mas não percas a tua cor!
O teu prateado traz-me lembranças,
Que intensificam o meu amor.
Ajuda-me a encontrar o caminho,
Não te escondas atrás das nuvens,
Dá-me também o teu carinho,
Para teres o que não tens.
O calor do meu amor te darei,
Como prémio por ti cedido,
Descobre aquela que sempre amei,
Encontra o meu bem querido.
FIM
Carlos Cebolo
Foto Google
Não quero crescer:
sono doce sono que me levas
para tão longe
não sei para onde deixo-me ir
tão suave viagem nem dou por mim
ao acordar recordo com ternura doces
melodias
tocam cítaras arpas violinos que harmonia
quero sonhar não quero acordar
lindo voar das emoções! quero ser menina
quero balouçar-me sentir o vento na minha face
fechar os olhos ir ao sabor do vento cantarolando
baixinho com nostalgia
por esses verdes campos! a lua vai passando
deixando o seu brilho quero ouvir os penedos
murmurar baixinho ouvi-los dizer está frio
quero sentir o cheiro dos pinheiros, e a caruma a cair
quero sentir o cheiro dos castanheiros em flor
quero ouvir os ribeiros a correr,água cristalina que lava a alma
e me dá calma
verdes prados erva fresca cheiro bom! seixos brancos flocos de neve
cerejas rubras malmequeres brancos do meu jardim! doce flor cheiro a jasmim
rosmaninho bravo flor do alecrim urzes e todo mais que há nos montes
e vales! mimosas de flor amarela cheiro agreste que não se esquece!!ó minha terra
que saudades sinto em mim! de te percorrer, no teu ventre me meter
e renascer de tanto bem te querer! quero ser menina não quero crescer...
UKY.Marques:
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Agora

Agora que estás,
fiz dos goivos
pautas de música
e dos lírios
a harpa que embala
os murmúrios do bosque,
pairando em brisas
que se entregam aos faunos
com sorrisos encantados.
Agora que estás,
as folhas vestem-se de verde
e os ramos das árvores
alongam as sombras
como lençóis macios
que testemunham
os nossos enleios.
Agora que estás,
a paz habita a fantasia
das noites silentes e mornas.
Agora que estás,
sou baía de abrigos,
porto de desejos,
ilha que guarda
os sentidos despertos.
E sou nuvem expectante,
úbere das memórias
de cada doce momento
que vou libertando,
em impetuosas cascatas,
agora que tu não estás...
© Rita Pais
VERBO AOS COTOVELOS
Minha mãe me disse pra andar
Minha mãe me disse pra andar
na linha e sonhar. Pois bem!
Passei a vida nos trilhos à utopia
de parar um trem.
Já me acostumei aos atropelos
Por ser verbo aos cotovelos
O que pago só eu sei.
O trem me esmaga
Não calo o berro
Renasço à saga
Fênix de ferro.
Entre trem e trilho
Renasço e brilho
Porque sou pedra
Porque sou ita
Porque minha alma bira.
Por tudo isto...
Eu queria contigo ver o pôr-do-sol,
Contigo ver o mar.
Queria fechar os olhos
E simplesmente… sonhar…
Eu queria escrever-te um poema,
Mas a minha mão vacilou.
Queria chorar por ti,
Mas a minha última lágrima secou.
Eu queria esquecer tudo isto…
Queria sentir indiferença,
Mas como é possível
Se eu ainda sinto a tua presença!
Pelo que ficou por dizer…
Pela recordação dos bons momentos.
Pelo que não consegui escrever…
Pela confusão de sentimentos.
Por tudo isto…
Por toda esta saudade.
Por não te esquecer…
Eu queria a tua amizade!
Dina Rodrigues
Eram e são
Eram naus, as nuvens que me levaram
Eram pássaros, as folhas que caiam
Eram ventos, os sorrisos que me amaram
Eram tempos, as horas que me sorriam
Eram tantos os sonhos…
Em nada medonhos
Eram estrelas, a luz do meu olhar
Eram a lua, as vontades de sonhar
Eram o sol, os beijos de desejo
Eram o mar, os carinhos onde me vejo
Eram tantos os caprichos…
Que em nada eram lixos
Eram perfumes, os sussurros da minha boca
Eram Mãos, as carícias do meu falar
Eram toque de magia em ti, menina louca
Eram o rio, meus pés a caminhar
Eram tantos os pensamentos…
Em nada ciumentos
Eram areias, as vezes que te amei
Eram ondas, os abraços que te dei
Eram a chuva, a vontade de um beijo molhado
Eram fogo, se te olhava apaixonado
Eram tantos os caminhos…
Em nada sozinhos
Eram músicas, os beijos na minha dança
Eram melodias, os sonos dormidos contigo
Eram cristais, os sentimentos de criança
Eram ouro, deitar-me no teu umbigo
Eram e são…
Se me deixares continuar…
De coração…
Amar… Amar… Amar
José Alberto Sá
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
“ NOTURNO - II “
Não fales, não digas nada,
Dos teus olhos, negro olhar,
Durmo com a luz apagada,
Pela tua posso esperar;
Vê se deixas de passar
À noite pela torre alta,
Não vá o sino dobrar,
À hora que me faz falta
E aqui me roubar a esperança
Do que está visto, sem ver,
Mesmo antes de já saber,
Que a minha alma só descansa
Quando um dia florescer,
Como esta lua a fulgir,
Como este sol a fingir,
Que é o dia a adormecer,
Pois tu não ouves, não sentes,
Teu expiar dentro de mim,
Que ele nem há piares assim,
Tão pios como tu mentes ?...
É belo o dia, não sentes ?...
E tem cores que nos encantam
E outras aves de asas quentes,
Que quando não voam cantam.
Tu não dormes e aqui estancas,
Olhos rasgos de mortalhas,
Ao longe és um Deus me valha,
Mais perto tens penas brancas;
Ó Coruja dos meus versos,
Ó alada, mal nascente,
Que aqui me espancas à noite,
Com o teu piar perverso,
Quem te vê que não te veja
E pelo pouco mais que sei,
Vê lá se mudas de Igreja,
Que eu chamar-te, não chamei !
Carlos A. N. Rodrigues
DÁ-ME...
Dá-me uma estrela
que eu possa alcançar
demore o tempo que demorar
mas que eu possa nela sonhar
Dá-me um bote que navegue
e me leve a alto mar
onde a minh'alma sossegue
e por lá se deixe ficar
Dá-me um sonho
oferece-me um beijo
diz-me que o desejo
não vai terminar
Dá-me a lua, dá-me a noite
deixa-me nos teus braços ficar
Dá-me uma flor
uma flor qualquer
que cheire a amor
que saiba a primavera
onde eu seja mulher
eterna quimera
Dá-me um beijo roubado
numa qualquer esquina
deixa-me ser vento alado
que sobe e desce a colina
E quando a tua alma serenar
e teus olhos quiseres fechar
deixa-me ser a pálpebra
que serena
fecha o teu olhar
Que seja minha mão
doce açucena
que te acaricia
lábios de mel que te beijam
minha eterna magia
que os teus sentidos desejam
Dá-me então uma estrela
mesmo sem brilho
algo que me permita sonhar
como um filho
desejado
de que não se pode abdicar
E sempre que em noites de tempestade
vires uma estrela palidamente brilhar
sou eu que envolta em saudade
vim tua boca beijar
A saudade não me mata
mas corrói
o teu silêncio morre-me no peito
e tal como uma faca afiada
que desfere golpes a eito
cai desenfreada
e dói...
São Reis
E Fructu Arbor Cognoscitur
E hoje desfilam árvores...
Por ruas inquietas
acha-me um perfume
insinuante e acidulado.
Perfectas.
.
Quem pensa que as ruas paradas
não têm vida nem cheiram
(nem por mim olham)
por certo não viram
as folhas de noites aveludadas
que nas janelas leram.
.
Moro numa dessas.
No quintal ao topo
despem-se clareiras
que o pisco revolve
em danças travessas
errante e sem destino.
.
Retomo as copas.
Um desejo carmino
trespassar-me-á
como bafo cálido.
Felino.
.
No breu virão beijos doces
mosto raro e fino aroma.
Bocas de geleia real
vingarão na lua rara que assoma.
José Brites Inácio

Ainda o mar...
Mar encantado
Neste mar de amor
lobos marinhos
encantados
são azuis
as algas
transparentes
de cristal
e os corais
jóias brilhantes
nos cabelos.
Neste oceano
de festa
as ninfas cantam
embalando
peixes dourados
em amplexos
de espuma.
Ao beijar as vagas
o amor enrola
espreguiçando-se
em lençóis
de areia húmida.
Graça Arrimar
Foto de Helena Santos
domingo, 29 de janeiro de 2012
Gira mundo! mundo anda!
As ruas são escuras
A ingenuidade da lua derramou lágrimas
Excluídas por esta sociedade
Do sexo definido em uma "virgem" e "moral"
Oprimidos desejos e fugas insensatas
A folha branca, preto no branco
Branco, no preto
Fria e crua
Abstinência ideológica
Estática da nossa situação
Palavras que dizem nada
Repressão ...
Nada ! argumentos ?
Sociedade!
Estou convicta
Da folha branca e verde, vermelha, arco-iris!
Liberdade de ser
Do viver amando
E permite ser
Viver voando
Querer é poder!
Sexo?
Sim, sim
Porque sim!
Amemos intensivamente
Eu sou dia,noite
Verde, azul
Clara,colorida
E em meio da multidão,luta e grita
Vence e passa..
Proibido?
O vento sente, o tempo aceita
Mas eu não sei nem quem eu sou ?
Sim, a lua, o mar, o sol
Filha da natureza
Sim,bonita,feia
Alegria ou tristeza,ousadia
Sou mulher,prazer
Sou alguém
Humana!
Poesia...
Letras que respiram a saudade
Palavras corpo com vida e nua
O livro da vida na alma
Páginas de pele,suor,calor
Tu! sexualidade pura!
Sexo, paixão, profunda em flor
Extasiante erotismo
PAZ - para bombardear nos preconceitos!
Mulher, simplesmente mulher
Com alegria e ardentemente
Loucura? Porque não?
Sempre! gira mundo! mundo anda!
Nunca pares de Amar!
É a coragem e a minha vontade indomável que me faz viver,voar,sonhar!
Essa é a maior força de vida
Paula Lourenço

UMA TAÇA DE VINHO FRUTADO
UMA TAÇA DE VINHO FRUTADO
I
Quatro pés dois corpos o beijo
Findo neles o desejo
Hora de enfrentar orgasmos
Estremecidos espasmos
_ O quê! Foram só os meus!
que dirá o bom Deus
vendo que me mentiste;
sentiste! não fingiste?
ah! afinal estava embaído
sobre se teus ais tinham saído
da fonte do prazer!
q’ mais iria acontecer?
Dois toques, um gemido
_ Que foi chamaste-me querido!
não? deve ser da ternura
confusa esta loucura...
Dois meses, sem menstruação!
Ai Jesus que aflição...
_ A culpa é tua
puseste-te toda nua
Lágrimas soluços tais...
Era hora de contar aos pais
_ Vou dizer q’ me violaste!
_ Mentira! Tu concordaste
II
O que era amor esbatia-se
Irreversível perdia-se
Num diálogo, tudo menos familiar
Constante o acusar
De costas agora viradas
Entre dores nunca imaginadas
Apeçonhentando um feto
Q’ mais tarde só pediria afecto;
Nem a justiça do tribunal
Perceberia onde estaria o mal
E as lutas agudizavam-se
Os jovens atormentavam-se
Num fim q’ estava na maternidade
À distância duma eternidade;
Uma palmada, algum choro
Sorrisos, que desaforo!
O recém-nascido sempre tinha pais
Avós tios – e viria muito mais
Teria a dor sem explicações
Até compreender tolas razões
De ser rico desde nascença
Duas casas – descrença
E foi crescendo, mudando
Dizem para pior – foi andando
Trajou só com o destino
Roupa de fresco linho
Sapatos, andarilho de sandálias
Quando passeava com dálias
Fugiu célere dos cravos
Sem espinhos, muitos agravos
Envelhecendo, morrendo
Risos rezas, sofrendo
III
Perguntaram: e como te chamas?
_ Eu? Sou Francisco Lamas
minha vida é um lodo
somando metades não dá um todo!
Q’ em cada lado vivi por inteiro
Natal em Dezembro, outro em Janeiro
filhos não tive, por medo
de falhar desde cedo
_ Não desistas na primavera
vivemos noutra era
o mundo está mais aberto
e o dantes errado agora é o certo!
esta última é de sábio
conheci-o, de seu nome Flávio.
_ Eruditas palavras desse amigo
vi-o como sem abrigo
e já o escutara anteriormente
ouvindo D. Clemente;
mas a minha vida não se compadece
com salmos ou prece
por ser um bolo recheado
taça de vinho frutado
quadro pintado de branco
asfixiado por um negro pranto.
Cito Loio

I
Quatro pés dois corpos o beijo
Findo neles o desejo
Hora de enfrentar orgasmos
Estremecidos espasmos
_ O quê! Foram só os meus!
que dirá o bom Deus
vendo que me mentiste;
sentiste! não fingiste?
ah! afinal estava embaído
sobre se teus ais tinham saído
da fonte do prazer!
q’ mais iria acontecer?
Dois toques, um gemido
_ Que foi chamaste-me querido!
não? deve ser da ternura
confusa esta loucura...
Dois meses, sem menstruação!
Ai Jesus que aflição...
_ A culpa é tua
puseste-te toda nua
Lágrimas soluços tais...
Era hora de contar aos pais
_ Vou dizer q’ me violaste!
_ Mentira! Tu concordaste
II
O que era amor esbatia-se
Irreversível perdia-se
Num diálogo, tudo menos familiar
Constante o acusar
De costas agora viradas
Entre dores nunca imaginadas
Apeçonhentando um feto
Q’ mais tarde só pediria afecto;
Nem a justiça do tribunal
Perceberia onde estaria o mal
E as lutas agudizavam-se
Os jovens atormentavam-se
Num fim q’ estava na maternidade
À distância duma eternidade;
Uma palmada, algum choro
Sorrisos, que desaforo!
O recém-nascido sempre tinha pais
Avós tios – e viria muito mais
Teria a dor sem explicações
Até compreender tolas razões
De ser rico desde nascença
Duas casas – descrença
E foi crescendo, mudando
Dizem para pior – foi andando
Trajou só com o destino
Roupa de fresco linho
Sapatos, andarilho de sandálias
Quando passeava com dálias
Fugiu célere dos cravos
Sem espinhos, muitos agravos
Envelhecendo, morrendo
Risos rezas, sofrendo
III
Perguntaram: e como te chamas?
_ Eu? Sou Francisco Lamas
minha vida é um lodo
somando metades não dá um todo!
Q’ em cada lado vivi por inteiro
Natal em Dezembro, outro em Janeiro
filhos não tive, por medo
de falhar desde cedo
_ Não desistas na primavera
vivemos noutra era
o mundo está mais aberto
e o dantes errado agora é o certo!
esta última é de sábio
conheci-o, de seu nome Flávio.
_ Eruditas palavras desse amigo
vi-o como sem abrigo
e já o escutara anteriormente
ouvindo D. Clemente;
mas a minha vida não se compadece
com salmos ou prece
por ser um bolo recheado
taça de vinho frutado
quadro pintado de branco
asfixiado por um negro pranto.
Cito Loio

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