sábado, 7 de abril de 2012

Páscoa da irmandade

Tanta urze, tanta alfazema
coabitam, mão entrelaçada,
aspiram o odor partilhado
oferecem da sua ninhada.
Aceito, de bom grado,
faço um ramo de Ramos
para domingo de Páscoa.

Escuto melodioso sussurro,

cidade jardim mágica,
oliveiras etiquetadas
disputam meu colo desnudo.

Sinto um olhar reprovador.

Tecem uma coroa original.
Apronto um chamamento sedutor,
ofereço-me(te) em verso floral.

Evoco Madalena arrependida,

na condição de mulher, perdida.
Serva do seu amor, Senhor!
Símbolo de Ser pecador.

Ah, quantas mentais violações

nos perfuram as tradições!
Respeito a essência da religiosidade.
Acredito na simbologia da época.
Espiritual, (re)nasço em irmandade
e escarneço do sacrifício hipócrito.

Páscoa,

em ancestral tempo histórico
ecoa o eco do sino, melancólico…
Odete Ferreira
 

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