terça-feira, 20 de março de 2012

DIA DO PAI

Meu pai


Que desilusão
Dor imensa
Pensar encontrar te
A pé, lanchando
Sorrindo e conversando…
Ver te aí, deitado
Lutando pela vida!

Arfante, peito sobe e desce
Doloroso (ainda mais), tanto mais,
Ouvir te!
Habituado a tua voz
A graças que contavas
Sempre jovial, sorridente…
Aí deitado - agora
A lutar pela vida!

Não acredito
Estás tão mal; deitado; imóvel
Ah, saudade de ouvir
Escutar tua voz
Histórias que contavas
Como ninguém
Piada imensa tinhas, só tu…
Aí deitado - agora
A lutar pela vida!

Levanta te, toma lanche
Vem falar com teus colegas
Fala: comigo!
Tira bocal, larga essa máquina
Fala comigo
Diz que vais ter alta
Pergunta quantos perdi…
Aí deitado - agora
A lutar pela vida!

Conta a do “lanchar caldo”
E a das cerejas
A das esmolas
Do pai falador, do filho mandrião
Dos teus jogos de futebol
Fala comigo
Fala de ti, Zé Pirata…
Aí deitado - agora
A lutar pela vida!

Tão cansado estás
Resistes; desiste
Doloroso escutar te
Sentir que lutas por nada
Triste estou com realidade
Luta infrutífera…
Desiste, meu pai, mereces descanso.

Tanto fizeste
Quase sempre bem feito
Vertical; honrado; honesto
Desiste, mereces descanso
Mãe(ela sim) vai sofrer
Saudade imensa
Apesar de tudo
Vai ter de ti, ela tanta
Tua companheira, sempre...
Desiste, meu pai, mereces descanso.

Vida plena, de trabalho
Essencialmente
E - agora, novamente em trabalhos
Dói tanto esta luta que travas
Em resistir ou desistir…
Desiste, meu pai, mereces tanto o descanso.

Sentir que me ouves
E não consegues responder
Despedida que não tivemos
Sentido de vida, tão pouco
De ti me despeço
Aí deitado, agora, desiste…
Descansa meu pai
Tanto - infinitamente - o mereces!

Luís Gomes Pereira
 

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