quinta-feira, 19 de abril de 2012

SEM PALAVRAS

Quando o teu rosto faz de cadeira a minha mão
E senta a maçã corada na palma,
Vem com a inclinação da tua cabeça, e assim se afaga…
Quando o teu rosto desliza,
Desde o meu pulso até aos dedos
E da ponta dos dedos até ao pulso,
Fá-lo devagar:
Para que os teus olhos não me percam
E para que os meus tos sigam sempre…
Menos no tempo em que o olhar se desvia
Para ver os teus lábios desenhar uma linha;
E quando depois ele se levanta
Para ver os teus olhos, que sorriem também…
Quando os meus dedos e a palma de seguida caminham,
Te passam a orelha e te apanham o cabelo,
Te entram por ele até à nuca e te trazem,
Não é para que pares de me olhar assim:
Com a tua face apoiada nesse meu afago;
É para que te peçam que o repitas sempre,
Porque a vontade que me atiras é desculpa
Para que te possa beijar,
Sem que eu te diga que é por seres linda...
E o sorriso que fala, não me chama exagerado. 
Sérgio Lizardo


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