segunda-feira, 5 de março de 2012

Património.....emocional

Procuro o silêncio na melodia que me acompanha e ameniza os sentires.
Sou náufraga neste tempo que se escoa e deixo-me levar na ampulheta como se em cascata navegasse à descoberta de uma foz que me alimenta, que é mim o sustento, a cadência, a similitude, a esperança.

Em cada precioso momento, lapido o instante num concerto só meu.
A minha batuta é o bater compassado do meu coração, as cordas são os dedos que se apressam no segurar do aparo, as teclas são as pálpebras que beijam com carinho o soalho, que me protegem quando me ofusca o orvalho ou o grito do luar a despontar no permeio de um extasiante raio de sol.

Todo o meu ser vibra num doce orquestrar e deixo-me voar em direcção à luz, meu porto, meu mar e aí me perco na imensidão pois só assim me sei encontrar, mais simples, mais vibrante, mais pungente e cantante ao ritmo da única e singular nota que me compõe e em mim é um mundo a desvendar.

No meu eterno viajar deixo aflorar um hesitante pé neste palco, terna liana que me prende à matéria, que me faz mais terreno o olhar. Assim me percebo, me orquestro e no espectáculo que contemplo encontro mágoas, dores e lágrimas que abraço e sossego num incontido desaguar mas também encontro sorrisos, alegrias, momentos exultantes de partilha e uno que me fazem brilhar.

Nesta dualidade entre palco e vôo, entre terra e ar, entre alegria e dor, entre medo e acreditar, ergo o meu património num lugar só meu, onde só eu consigo chegar mas onde todos se abraçam em sentimento num único e singular Estar.

No meu património todos habitam o verbo amar!

Ana Fonseca


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