terça-feira, 13 de março de 2012

FRAMBOESA DE OURO

À sombra, dum coalhado olhar vidrante
Trazendo nas mãos, o desejo a almejar
Esperei na primeira fila, expectante
Ver o filme começar.
Era um filme legendado em mudo
Para quem nada percebe, mas entende tudo.

Vibravam espanta-espíritos, bem à soleira
Daquele sobrado, escrito em estrangeiro
A fita era adesiva e a luz matreira
E o filme tinha cortes de dinheiro.
Era o meu filme, mas não era a minha estreia
E comecei a ver... A coisa estava feia.

Estava no lugar, que a vida me vendera
“É o melhor”, disse a troçar
E o filme que era bom, desaparecera
Meu camarote, era um vazio sem ter lugar.
Entrei, esperando ver um filme de sorrisos
E me deparo, com uma “serie” de improvisos.

Realizei, produzi e fui actor
Duma curta-metragem, que tristeza
Do Óscar que ganhei, levo o sabor
A desalento amargo, a framboesa.
O argumento era o melhor,
A paixão, o encanto,
Mas não vingou, perdeu a cor
E o meu filme de amor
Foi lançado a preto e branco.

Beija-flor

Imagem Google
 

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