Quando procuro o silêncio No cancerígeno ruído da cidade Onde se guerreia a paz Com a impune tonalidade da palavra Com a poeira batida do tapete Que se sacode em varandas porcas e inundas Com os detritos que voam levados pelo vento Subo a ponte Centenária como centenário é o riacho Que lhe toca as paredes envelhecidas Os meus passos levam-me ao açude Que ao longe contrasta com tudo o que abomino A sua queda tem o som de preces Que só o meu ouvido conspurcado de ansiedade Consegue assimilar Aquele tombar de água fresca Sempre renovada E de tez transparente e cristalina Enche-me o peito rejuvenescido E a alma do silêncio que procuro Não tem voz, nem olhar que me fite as faces São apenas as preces do açude.
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