terça-feira, 24 de abril de 2012

"Sonhos de Abril"

Chora Abril retalhado,
na doutrina do poder;
seguindo rumo ao passado,
com a Liberdade a sofrer...

I
No florescer da Pastagem,
perante um lençol mimoso,
avança Alentejo vaidoso,
respira desprezo e coragem...
Dá-nos ar da sua imagem,
num sorriso retratado...
Disfarça o ser magoado
que sua alma entristece...
Enquanto o povo padece
chora Abril retalhado...

II
Lágrimas - já repassadas -
Penando no leito do rio...
Sente um enorme vazio
sofrido em tantas chuvadas...
Brechas, enfim, reparadas,
coisas que dizem fazer...
Passa na água a correr
tal percurso viciado...
Acena em caldo entornado,
na doutrina do poder...

III
Lições de memória pequena,
que a consciência ditou...
Nobre, o poeta trovou:
“Grândola vila morena...”
Aperta saudade amena
num coração já cansado...
Sangra sozinho no prado,
enferrujando o celeiro...
Verga perante o dinheiro,
seguindo rumo ao passado...

IV
Veste em ar de graça
a acusação, que promete...
Lavrada no Jet-Set,
semeada na Lei da Caça...
Pobre é gente de raça;
povo que sabe perder,
o teu contento é viver
na ambição do sustento,
esquecido no Mandamento,
com a liberdade a sofrer...

António Prates
 

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