quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tempus fugit “

Procuro-te nesta câmara escura
e observo-te no teu vagar
sonolento
com que te desnuda
o cloreto de prata do tempo

revejo-te princesa
no tule rendilhado do teu véu
a saíres ilesa dessa espuma branca
a iniciares a tempestade
de uma memória fugidia

sorris luminosa
vencedora do ocre e do salitre das casas
na marginal do céu
eu que me pensava refugiado em ti
e apenas voava com tuas asas

ali te perdi de calções e de chapéu
entre nuvens de fumo
e persegui o chilrear do teu riso
ali me perdi perdendo o teu rumo
no gesto amável e conciso

pairava o piano de olhos já cegos
o harpejo dos dedos no fim da tarde
sem alarde
e aguardavas no átrio do hotel
Yolanda da baía de “Cienfuegos”

sendo de todas e de cada uma das mulheres
onde te perdi
oiço-te os passos mulher primordial
se te ausentares para me salvar
morrerei para ressuscitar nos teus braços

Carlos Vieira-João Carreira



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