sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


GARDÉNIAS
 
Ao longo do rio vejo um campo de gardénias
De corpo branco e postura exótica
Que me oferecem a sensação de um olhar
Lânguido
Ausente
Em meditação constante
O olhar que já vi algures
Nos tempos perdidos
Em que não percorria o rio
Na procura das vozes do silêncio
Gardénias
Que fazem sombra a outras gardénias
Ciumentas da diversidade do meu olhar
Um olhar que já foi limpo
Sem rugas
No tempo em que as minhas mãos
Estendidas como madeira fresca
Eram a bandeira de um prazer de vida
Gardénias
Que se colam a mim através dos meus passos
Que viajam comigo
Que me enfeitam a raiz do pensamento
Que dormem comigo num quarto vazio
Que morrem de tristeza
Porque já não podem fazer sombra na margem do rio
Porque o seu coração não tem a força que nos corre nas veias
Porque cada ser é um ser único.

Ângelo Gomes
 
 

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