"Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos."
Oscar Wilde
Feliz dia....com muita poesia!!!!
FELIZ DIA DA ESPIGA
Fui ao campo colher o ramo Para formar a minha espiga Colho flores para todo ano Sigo os passos da formiga
Fui para a seara bem cedo Ainda bastante orvalhada Na claridade do alvoredo Fiz a espiga de alvorada
Juntei pão ouro e prata Ramo de amor e vida Azeite e paz luz à farta Vinho e saúde pedida
Espiga com malmequeres Papoilas e ramo de oliveira Vou levar-to onde quiseres Videira alecrim para a vida inteira No DIA DA ESPIGA onde estiveres ... musa
AS PRECES DO AÇUDE…
Quando procuro o silêncio No cancerígeno ruído da cidade Onde se guerreia a paz Com a impune tonalidade da palavra Com a poeira batida do tapete Que se sacode em varandas porcas e inundas Com os detritos que voam levados pelo vento Subo a ponte Centenária como centenário é o riacho Que lhe toca as paredes envelhecidas Os meus passos levam-me ao açude Que ao longe contrasta com tudo o que abomino A sua queda tem o som de preces Que só o meu ouvido conspurcado de ansiedade Consegue assimilar Aquele tombar de água fresca Sempre renovada E de tez transparente e cristalina Enche-me o peito rejuvenescido E a alma do silêncio que procuro Não tem voz, nem olhar que me fite as faces São apenas as preces do açude.
ÂNGELO GOMES
SENTIR E SONHAR sou do tamanho do estado em que me sinto e assim uso a força que me habita
quando sonho contigo levanto a Terra e outros planetas
Maria Do Rosario Loures
DA VAIDADE HUMANA (VANITAS VANITATUM, ET OMNIA VANITAS)
É sempre junto ao mar, perto da sua bela e incomensurável superfície azul, que o meu turbulento espírito encontra a paz.
Só de o olhar descanso, assim, como se entrasse de repente, num reconfortante e sedativo sono. Retempero-me logo do violento esforço que despendo para resistir à sucção voraz do cavado vórtice da vivência frenética, estúpida, sem sentido, para onde a turba me impele, dia-a-dia.
É, também, no escuro da noite, na pacatez do terraço da minha casa da fajã, que mantenho o saudável hábito de sonhar acordado.
Às vezes, reclinado na minha cadeira de repouso, imagino que piloto a terra-nave, e a levo a sondar cada luzeiro que habita a imensidão dum céu de Agosto.
Nessa minha viagem faz-de-conta, perdido, algures, nos confins do universo, consigo ponderar, com fina exactidão, a minúscula, a ridícula pequenez da futilidade humana.