quinta-feira, 17 de maio de 2012

"Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos."
Oscar Wilde
Feliz dia....com muita poesia!!!!
FELIZ DIA DA ESPIGA

Fui ao campo colher o ramo
Para formar a minha espiga
Colho flores para todo ano
Sigo os passos da formiga

Fui para a seara bem cedo
Ainda bastante orvalhada
Na claridade do alvoredo
Fiz a espiga de alvorada

Juntei pão ouro e prata
Ramo de amor e vida
Azeite e paz luz à farta
Vinho e saúde pedida

Espiga com malmequeres
Papoilas e ramo de oliveira
Vou levar-to onde quiseres
Videira alecrim para a vida inteira
No DIA DA ESPIGA onde estiveres
...
musa
 
AS PRECES DO AÇUDE…

Quando procuro o silêncio
No cancerígeno ruído da cidade
Onde se guerreia a paz
Com a impune tonalidade da palavra
Com a poeira batida do tapete
Que se sacode em varandas porcas e inundas
Com os detritos que voam levados pelo vento
Subo a ponte
Centenária como centenário é o riacho
Que lhe toca as paredes envelhecidas
Os meus passos levam-me ao açude
Que ao longe contrasta com tudo o que abomino
A sua queda tem o som de preces
Que só o meu ouvido conspurcado de ansiedade
Consegue assimilar
Aquele tombar de água fresca
Sempre renovada
E de tez transparente e cristalina
Enche-me o peito rejuvenescido
E a alma do silêncio que procuro
Não tem voz, nem olhar que me fite as faces
São apenas as preces do açude.

ÂNGELO GOMES
 
SENTIR E SONHAR
sou do tamanho
do estado
em que me sinto
e assim
uso a força
que me habita

quando
sonho contigo
levanto
a Terra
e outros planetas


Maria Do Rosario Loures 

 
DA VAIDADE HUMANA
(VANITAS VANITATUM, ET OMNIA VANITAS)

É sempre junto ao mar,
perto da sua bela e incomensurável superfície azul,
que o meu turbulento espírito encontra a paz.

Só de o olhar descanso,
assim, como se entrasse de repente,
num reconfortante e sedativo sono.
Retempero-me logo do violento esforço que despendo
para resistir à sucção voraz do cavado vórtice
da vivência frenética, estúpida, sem sentido,
para onde a turba me impele, dia-a-dia.

É, também, no escuro da noite,
na pacatez do terraço da minha casa da fajã,
que mantenho o saudável hábito de sonhar acordado.

Às vezes,
reclinado na minha cadeira de repouso,
imagino que piloto a terra-nave,
e a levo a sondar cada luzeiro
que habita a imensidão dum céu de Agosto.

Nessa minha viagem faz-de-conta,
perdido, algures, nos confins do universo,
consigo ponderar, com fina exactidão,
a minúscula, a ridícula pequenez
da futilidade humana.

Aníbal Raposo