D roga R ealidade do nosso mundo O lhai... Prazeres do corpo G anância doentia... Poço sem fundo A lma sem vida... Vida sem porto
O lhai... Nem vós sabeis
P ergunto... Não há resposta R evolto-me porque cresci... Vós não cresceis A lmas que ao mundo viras-te as costas Z ango-me porque não consigo E levar-vos à razão R azão? Talvez castigo
Q uebro-me, porque nada faço U m momento apenas para escrever E sta é a carta... O meu laço
M omento que eleva meu ser A lmas perdidas sem ajuda T eimais em não me ouvir A vossa dor é aguda
Vivei como eu, olhemos o mundo a sorrir
José Alberto Sá
em cada silencio silibado em cada sonho dedilhei nos teus braços todas as palavras
e fomos pássaros esvoaçando em segredos
que cumprimos em volúpia de asas
Ana Madureira
PRIMAVERA AO VENTO Primavera és uma miragem, com este frio de inverno. Até dá dó ver a folhagem, cai como as folhas dum caderno.
Primavera como eu queria, que fosses quente como outrora. Mas viraste assim tão fria! Nos entristeces agora.
A Primavera é paciente, espera o tempo passar. Deste Inverno inteligente, com as andorinhas a chegar.
As minhas árvores vestiram-se, de folhas e de flores. E as papoilas nos campos. Coloriram-se de mil cores.
Floriu ao amanhecer, lindas flores são aquelas. Flores que eu vou colher, são rosas brancas e amarelas.
As rosas colorem o amor, as vermelhas exalam paixão. Belas com luz e calor, um só ramo é sedução.
Joaquim Barbosa
Tempos idos…
As lembranças reabrem-se, E acordam as feridas… Sentem os sonhos do passado… Sofrem as ilusões, por momentos, Em delírios abafados, desfraldam-me o peito… A alma desfalece-me, Deserta e ansiosa, por outros tempos. Por instantes, a vida deixa de acontecer… Desfeita e húmida. Os sentimentos, que albergava, Desfalecem… diluem-se, no tempo, Por entre os dedos em desassossego. Acorrentada, procuro-me a onde fui feliz… Mas o tempo envelheceu e ficou longe…olvidei o caminho, O horizonte…talvez os sonhos cessem e eu esqueça… Amo em silêncio…rasgo beijos, serenos sem prazo, Em sopros de vento…separados … Por uma viagem, por um céu aberto, Por um suspiro, desviado…perdido no tempo, Mesmo distante… Chamo por ti…hoje e constantemente.