domingo, 25 de março de 2012

DOMINGO 25-03-2012
Bom dia....com muita alegria!!!
IOGURTE
Provei e misturei,
a amora silvestre do nosso iogurte de pedaços.
Um pedaço de mim,
um pedaço de ti…
Até ao batido final.
Na certeza de transformar a silveira em roseira,
deliciarmo-nos numa bebedeira,
perfumada e louca,
no contentamento das pétalas que não caem,
mas rejuvenescem.
Jaime Portela
 
INQUIETUDES

Andam bocas pelo ar,
esfomeadas de fama...
Vozes escancaradas
no ridículo que as inflama,
mentes inquietas
pela inveja corrompidas,
passos incertos
e atitudes pouco retas...
Andam olhos cegos
calcorreando a calçada,
vazios de luz
açoitando a palavra,
alimentando os egos...
Andam os ouvidos fechados!
Nem dá para acreditar...
Injúrias ...Inquietudes...tantas aí Jesus...
Calei-vos... Ouvi! E vede!
Parai...aprendei com o silêncio
o ouro que se derrama
pelas cascatas da sensatez.
Bebei...e matai essa sede!
Deixai que cresça viçosa e ereta
a sábia planta da poesia
em vós semeada!...

Isabel Branco
 
UM TEMPLO EM FORMA DE CORAÇÃO

Danças nos meus olhos o teu tempo
E entregas-me o teu tempo num sorriso
Abraçamos o brilho das estrelas
Navegamos juntos no perfume das flores mais belas
E há gaivotas felizes no mar que foi feito só para nós

Na pele do teu corpo desenho o futuro
Nos sons cantados do vento escuto a tua serenidade
Afago-te os dedos com a ternura que me deram ao nascer
Imagino-te a meu lado no lado mais belo de um sonho qualquer
E teço no tecido da existência a nossa própria felicidade

Somos capazes de ouvir o sol e de adormecer a lua
Somos as letras de um vocábulo ainda por inventar
Dos nossos beijos nascem crianças felizes dançando na rua
Das nossas mãos sai um rio criado só para a nossa alegria
E sempre que nos olhamos acontece magia

Sei que a morte existe e que a solidão acontece
Sei que a tristeza é uma avó cruel que nas nossas madrugadas falece
Mas sei que as árvores deste sonho acabaram de ser plantadas no nosso chão
Agora podemos sorrir ao mundo que nos vê viver
E neste tempo do amor já moramos num templo em forma de coração.


José Luís Cordeiro


Quero adormecer

Todos os segundos voaram de mim, deambulo por aí, como uma caix...a vazia, entregue ao sabor do tempo...
Caminho nas entrelinhas das palavras por mim rasgadas.
Até até já me esqueci de tudo o que foi errado!
Grito aos céus, quando vejo um arco-íris fabricado com as lágrimas de um sonho errante...talvez, além das fronteiras do medo, exista um milagre adormecido...
Conheces o meu milagre? Não aquele transformado em tulipa negra!
O outro, o que precisa do sonho para infinitamente me perder nas profundezas do meu pensamento...
Quero adormecer num sussurro de encanto saído das nuvens brancas que quase me tocam o rosto, luminosas, qual castiçal da noite, numa valsa tocada até ao amanhecer...com o som das águas do mar a tocar devagarinho fazendo a lua dançar magia…
Sonhei mais do que pude, talvez o que não devia. Os caminhos foram trilhados e as marés fugidias...perduram uns breves traços em cada meu respirar...
Quero adormecer...

Fátima Custódio