domingo, 18 de março de 2012

DOMINGO 18-03-2012
Bom dia e um Santo Domingo!!!

 SOBREVIVI!

Mais de meio século de vida.
Vida, vivida e sofrida,
em toda a sua plenitude,
fazendo por manter na mente,
sempre viva a juventude.

Cheguei aqui. Sobrevivi!
A tempestades e terramotos,
desilusões e maremotos.
Sonhos destruídos,
mas sempre...
... reconstruídos.

Feridas em mim provocaram.
Amaldiçoada por uns,
mas muito amada por outros.
Chorei e choro,
até a alma lavar...
... secar e purificar.

Cheguei ao inferno da vida.
Tantas vezes caí,
e como uma bola de neve,
rolei montanha abaixo,
até ao ponto de partida...
... chegar!

Fui e sou Mulher inteira.
Já me cortaram ao meio,
em quartos...
... nas fatias que desejaram.
Mas, com garra e força,
voltei cada pedaço de mim,
com amor a colocar,
inteiro...
... no seu lugar.

Peguei em todos os cacos.
Apaguei do passado o desdém,
a indiferença, o desamor.
Como uma tecelã, uni
cada pedaço...
... deste coração maltratado.
Em cada pedra atirada,
peguei...  e uma a uma,
junto com meus filhos,
construí assim...
... o nosso cantinho de amor.

Continuo a lutar  p'ra melhorar,
a essência dentro de mim.
Contra ventos e marés,
volto sempre a sonhar...
... a mim a regressar,
e à dignidade a valorizar.

Quantas "batalhas" eu travei,
e quantas, continuarei a lutar.
Sem armas,
sem guerra.
Munida unicamente,
p'la mais bela palavra...
... simplesmente, Amor!

Nessas "lutas", quantas vezes caí.
Mas mesmo,
no meio da minha fragilidade,
surge em mim  uma força,
que me faz reconstruir,
renovar...
....e com isso, sobrevivi.

Lutadora? Sou!
Não importa quantas vezes ainda venha a cair.
Nem quantas "batalhas" venha ainda a travar.
Estou segura,
de que acabarei sempre de pé,
com força na alma e na voz p'ra gritar:
Tentem...
todas as vezes que o desejarem,
a mim me derrubar.

Medo? Não o tenho!
A cada batalha travada,
com força, alento e amor,
Alguém pega minha mão,
e a levantar me ajuda.
Como num sussurro "ouço":
Força!
Levanta-te, ergue a cabeça,
e com amor e humildade segue,
o que sabes ser...
... o teu caminho!

Susana Maurício


A Fonte do Prazer

Hoje passei pela Fonte
E ao banhar-me em teus beijos
Afoguei-me no deslumbre da paixão

Inebriantes carícias
Mãos sábias, desabridas
Túrgidos seios, arfando em círculos

Descobrindo caminhos na minha boca
Lançando barcos que vão para longe, escoltados
Por bandos de aves cruzando a esconsa linha do horizonte

Amei-te no olhar de uma delas e ao levantar-se
Do chão o sol trazia uma espuma que podia ser nossa
Por cheirar a terra revolvida de corpos acabados de copular

Eis que se turva o céu de sangue negro coalhado
E num repentino grito apagas-te no meu sonho
Eu quero fingir que não sonhei, e belisco-me
Até que a dor consuma estes pés de vidro

Finou-se a fonte do prazer
Numa mais que fria equação do tempo
Os sentidos atropelam-se nos cacos dispersos
A esmo, esmoler me confesso em teu altar ardente
Persignas-te como se eu fosse o diabo, morto
Na cruz crivada de cacos e ofereço-me em sacrifício
Num último e adocicado olhar te percorro etéreo e frio
Fico por ali, nu, na berma, como cão sem dono acometido
De…
Ti.

João Galante



 
Solta-se o grito
Vencido p'la luxúria
De todas as palavras
Nascidas da fertilidade
Exacerbada dos sentidos:
Porque o amor desgasta os corpos,
Enquanto ilumina o verbo.

Sendo assim...


Diz-me:

Porque depositas
No meu peito
Rosas vermelhas,
Nessa ânsia
Com que te revelas
Em cada noite
Que a lua te ilumina o olhar?
Adivinho-te meu amor,
Nas noites escuras,
Sinto o aroma
Com que me revestes a pele
Do mais profundo desejo
De toda a carne.
Diz-me:
Porque o luar
Te inspira o corpo
Nessa ânsia
De me redescobrires
Nos lençóis da lua?
Diz-me!, porque preciso saber...

(eu) Cristina Cebola

"Pudesse eu"
 
Pudesse eu, sentir a cor do Amor
Pudesse eu, sorrir sentindo
Pudesse eu, escravo do seu esplendor
Voltar a viver este sonho lindo
Pudesse eu, percorrer este caminho
Pudesse eu, deixar-me encontrar
Pudesse eu, envolver-me no seu carinho
Não quero deste sono acordar
Pudesse eu, evitar esta dor
Que de sangue em mim se fez
Pudesse eu, sarar com teu amor
Minhas feridas outra vez
Pudesse eu,voltar a escrever
Para nestas linhas explicar
Este veneno que alimenta a dor
Estranha forma de amar

* cada dia mais actual :-(

Jose Penalva