DESTINO A mulher, de vestido branco esvoaçando no vento,
seguia um destino. O destino tecia a teia da vida que seria a da mulher
de vestido branco esvoaçando no vento. Por entre as árvores que pareciam
mov
imentar-se, a mulher aparecia e
desaparecia. Quem a via, tinha a percepção que procurava algo. Era algo
que não estava no exterior de si própria. Talvez num passado longínquo
do tempo da inocência. Talvez num destino que se quebrara algures e que
urgia recomeçar. No entanto, o destino continuava a tecer outra vida
para ser a da mulher de vestido branco esvoaçando no vento.
Tão
denso era o entrançado das árvores que o sol, só a custo e por breves
instantes, entrava no mundo por onde a mulher seguia. Era um mundo
redondo; um mundo dentro de uma consciência. Do lado de fora nada se
via. Só um andar tão leve e suave que não deixava ouvir qualquer ruído.
Aos olhos de quem a observava, a mulher parecia não tocar o chão. Ou não
queria. Andava em busca de um lugar a fim de cumprir o seu destino.
Sozinha na sua vida de pessoa cansada de pessoas. Acompanhada na sua
vida de amor pela Ilha, pelo mar, pela abundância doada pela natureza.
Tinha deixado para trás as cidades. No seu mundo redondo, porque
dentro de uma consciência, o seu olhar não nos desvendava os segredos
escondidos na sua alma de mulher que procura.
Mas, ela não era a
construtora do seu destino. Este tinha sido entrançado com os mais belos
fios que lhe eram dedicados. Porque a mulher que deseja o silêncio,
merece partilhar os sons e os aromas da vida dos deuses. E abrir os
braços para receber as bênçãos que caem abundantemente do generoso
firmamento.
Um rosto que se pressente tranquilo. Mãos que apanham o
cabelo num jeito desprendido de interesses menores. Muda de direcção.
Outros caminhos estão à sua espera.
Na clareira que se adivinha no
tempo do mundo, o seu lugar surge-lhe por conta do destino. É na moradia
dos sábios, aberta às crianças de todas as raças e à mulher que
abandonou as cidades porque estas não souberam responder às suas
perguntas. Moradia sem portas, janelas ou paredes. Em pleno universo,
entre o verde e o azul da Ilha. Sem receios, com a tranquilidade única
dos que encontraram o seu espaço, a mulher senta-se sobre os joelhos e
levanta os braços para agradecer. As crianças fazem, à sua volta, uma
corrente de amor e gratidão. E cantam como só elas o sabem fazer…
Maria da Conceição Brasil