A minha linda Lisboa, Sem Alfama e Mouraria, Sem Graça e Madragoa, Outras marchas cantaria.
Ai, minha linda Lisboa, Tejo, no Cais-do-Sodré, Camões vendo Pessoa, O Fado ao pé da Sé!....
Em Benfica, uma Águia, Um Leão, em Alvalade, O Marquês é quem te guia, Bairro - Alto a saudade!....
Ai, ai, ai, lisboeta, Eu digo-te como é que é!.... Mesmo sem termos cheta, Vamos pró Cais-do-Sodré!..
( Acácio Costa)
MENINOS DA RUA".
CRIANÇAS MARCADAS POR UM ABANDONO PROFUNDO. BRASIL, PORTUGAL OU QUALQUER PARTE DO MUNDO. VIVEM NA FANTASIA DUM SONHO INCOMPREENDIDO. PARA ELES A PALAVRA RECTIDÃO, NÃO FAZ SENTIDO. PEQUENOS SERES HUMANOS, AUSENTES DE DESTINO. DUREZA DE VIDA MARCADA EM CORPOS DE MENINO. MENINOS DE SONHOS QUE FORAM MAL COMEÇADOS. PROCESSOS DE REGRAS DE EDUCAÇÃO INACABADOS. IGNORADOS, VADIAM NAS RUAS POR VEZES DESERTAS. TENDO EM MENTE O ASSALTO A PESSOAS CERTAS. FAMINTOS DE PÃO, CONFORTO AMIZADE E CARINHO. ATACAM SEM DÓ, QUEM SE CRUZAR NO SEU CAMINHO. COMPANHEIROS DA NOITE, NÃO RECEIAM ESCURIDÃO. AGASALHAM-SE DEBAIXO DUM COBERTOR DE CARTÃO. CARTÃO , QUE MAL COBRE SUA JOVEM PELE SEMI-NUA. FICAM OLHANDO AS ESTRELAS..... SOB A LUZ DA LUA
AURORA MARIA FERREIRA DA CRUZ MARTINS AFONSO
Mãos em desabafos
Raspei as mãos no chão Queria sentir dor Raspei no pó do alcatrão Pó de pedra, louco ardor Raspei e me libertei em sangue Rio correndo pelas veias Fruto sem casca... Lande Seiva de desespero em minhas tareias Raspei as mãos em pedra dura Ferida em gritos de agonia Raspei as mãos nas dores sem cura Feridas de noite e de dia Minhas mãos... Cintilantes Mãos de medo... Trémulas Raspadas pela revolta, em pedras brilhantes Mãos ingénuas... Mas triunfantes Raspei as mãos no chão onde moro Raspei as mãos onde imploro Onde peço... Onde raspo se mereço As mãos do meu sofrimento Mãos que escrevem Mãos que são meu alimento Mão que não temem Raspadas pelo tempo Nas pedras do chão da vida Mãos que ao relento Escrevem desabafos sem medida Minhas mãos... Raspadas em escrita Prosas e poesia... Irmãos Das mãos... De quem grita
José Alberto Sá
Olhando-te … Esta forte atracão Leva-me até ti, És a minha paixão Gosto mesmo de ti. Sento-me no areal E … Num gesto banal Sinto …
Sinto o teu cheiro, Maresia que me encanta Quando de ti me abeiro Nessa imensidão tanta.
Tranquilidade e paz Beleza sem fim, O teu ondular me faz Sair de dentro de mim.
Infinita imensidão Perante o meu olhar, Enche meu coração P´ra continuar a pulsar.