Por mais estranha e louca que for a tua aventura a tua ilusão a tua coragem a tua nostalgia ou o teu desassossego...
Por mais bizarro e tortuoso que for o teu caminho escusas as tuas esquinas louca a tua alegria ou sombrio o teu destino...
Por mais esmaecido que seja o teu azul mais murcha seja a tua flor menos verde tiver a tua tela e mais indefinido for o teu arco-íris...
Por maior que seja a tua dor e por mais que os teus olhos se recusam a deixar de ser lagos ao sabor do teu rosto e este for tão-só um mapa marcado por muitos rios à flor da tua pele...
Por maior que seja a tua alegria essa mesma que te rasga um sorriso te esventra a alma e te vira do avesso sem nem sequer dares conta...
Por maior que seja o teu amor ou a tua angústia ou o teu desamor ou o teu desalinho o teu silêncio mudo o o teu grito surdo e rouco...
Por maiores que sejam as tuas asas e mesmo assim não conseguires voar porque ninguém te ensinou e o céu te parecer um sítio escuro e imenso...
Lembra-te que eu estarei sempre aqui à distância de um entrelaçar de dedos de um olhar dentro do teu de um ombro junto do teu de um sorriso partilhado contigo ou de uma lágrima vertida a meias
E esta seria em tudo uma história banal cheia de palavras bonitas e bem intencionadas largadas sem forma num cálice de papel ao sabor de uma caneta tonta dando forma a outra tonta que sou eu
não tivesse sido ela escrita com o meu coração sangrando e não tivesse ela tocado dentro da tua alma que eu sei anseia por companhia
São Reis
A SEMENTEIRA DO SILÊNCIO Relanço as sementes à terra com o punho fechado.
Há em mim um ar de desalento que bate a contratempo, linhas traçadas que separam os hemisférios onde se movem os meus pensamentos.
Não há pássaros a espreitar na copa das árvores, e eu tenho mãos sulcadas em que as sementes se abrigam.
Espalho incertezas pelos cantos da casa e refugio-me numa qualquer esquina do monte. O sol arde no acaso do horizonte e as palavras enfeitam os caminhos com pétalas de rosas.
Relanço as sementes que me caem dos olhos, e sempre que as minhas mãos se abrem recolho silêncios e falta de vontades.
Francisco Valverde Arsénio
NUM TURBILHÃO DE RAZÕES
Que razão é essa que te impede de caminhar? Que dor é essa que a alma grita sem cessar?
Encontra a ponta do sol a motivação para te elevares a cada queda. Lambe a ferida com a saliva quente sem orgulho.
Qual o motivo da traição? Porque é que os valores se perdem?
Trair é perder respeito próprio e não ser, nem conhecer o deleite de viver. Os valores não se imprimem em folhas soltas nem em compilações de estudiosos é intimo não há o apontar mas sim o praticar para que a diferença seja feita.
Porque é que a humanidade está mal? Se cada acusador entregasse bons valores o mundo seria perfeito!
Contudo vive num turbilhão de razões sem rectas definidas nem curvas flexíveis para o luar se estrelar na noite de contentas!
Ana Coelho
RIBEIRA
Se calhar estás bem diferente Mas quando te conheci Namorei a tua gente O encanto que havia em ti
Os jantares na Marina (Como era novo e feliz) A muralha Fernandina A Ponte de D. Luíz
Eu, um milhafre das ilhas Aprendi e tive sorte No falar das tuas filhas O bom sotaque do Norte
Oh Ribeira que vivi (Há sítios que não se esquecem) Quando me lembro de ti Os meus olhos humedecem.